segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

piracema e defesos


 
Piracema
Piracema
O dia começa mais cedo e termina mais tarde, alongando as horas de luz. A temperatura da água sobe, assim como o nível dos rios, que também ficam mais oxigenados. A primavera floresce, frutifica, reproduz. É tempo de formação dos cardumes, início de uma longa jornada rio acima. Os peixes de escama são os primeiros a se agruparem e o maior cardume é dos curimbatás, seguido por piraputangas, lambaris, pacus e dourados. Então chega a vez dos peixes de couro: pintados, cacharas e, por último, jaús.
Ao nadar contra a correnteza – muitas vezes durante horas seguidas sem sair do lugar – esses peixes passam a produzir uma alta quantidade de ácido lático em sua musculatura. Durante o processo de queima natural desse ácido, parte é transformada em gás carbônico (CO2) e parte em ácido carbônico. Ambos são eliminados do organismo pela respiração, mas não totalmente: um pequeno percentual do ácido lático produzido não é metabolizado e vai estimular a região anterior da hipófise, desencadeando a liberação dos hormônios responsáveis pela fecundação.
A hipófise fica situada na região anterior da cabeça dos peixes. Bem à frente dela, na caixa craniana, existe um pequeno orifício, por onde penetram os estímulos externos. E, dentre eles, o mais importante para fins reprodutivos é a pressão da água.
Piracema
A pesca na piracema é proibida (*). Quando os cardumes começam a subir os rios em direção às nascentes – no mês de novembro, para a maior parte do Brasil – é decretado um defeso de pelo menos 3 meses. Trégua de fisgadas suficiente para os peixes adultos subirem até o local da desova e garantirem a próxima geração, algumas vezes após percorrerem 300 ou até 400 km!
A subida dos cardumes, em alguns pontos, faz a água ‘ferver’. E atrai predadores no céu, na terra e na água. Aves de rapina, garças-verdadeiras, mamíferos carnívoros, jacarés e, claro, os vorazes dourados buscam alimento em meio à ‘ferveção’.
Nos rios mais acidentados, o esforço de vencer cachoeiras e corredeiras rende saltos espetaculares, nem sempre bem sucedidos. Caso um dos requisitos para o início da migração mude – alteração da luminosidade, temperaturas mais frias ou muito quentes e nível dos rios bem abaixo ou muito acima do esperado – a piracema será adiada ou antecipada. As barreiras levantadas pelo homem – dragagens e barragens de usinas hidrelétricas – também influenciam o comportamento dos peixes e, muitas vezes, chegam a impedi-los de atingirem seu objetivo.
Piracema
Vencidos os obstáculos os peixes vitoriosos dão seqüência à desova, com a chamada ‘rodada’: machos e fêmeas rodam rio abaixo e soltam na água milhões de ovas e sêmen, que se encontram no rio e formam ovos. Em poucas horas, ou dias, os ovos eclodem e as larvas buscam abrigo em águas mais calmas, ricas em zooplâncton, onde têm alguma chance de escaparem dos perigos diários, e se tornarem peixes adultos.
A vida dos peixes reofílicos – esses amantes da correnteza – já começa cheia de desafios. Só os fortes sobrevivem, só os fortes conseguem se reproduzir e perpetuar a vida.
(*) Consulte o site do Ibama para saber o período exato da piracema na localidade onde você vai pescar

Nenhum comentário:

Postar um comentário